Nunca foi tão fácil acessar informação. Ao mesmo tempo, nunca foi tão desafiador conquistar a atenção das pessoas. As transformações provocadas pela tecnologia redefiniram comportamentos e mudaram a maneira como as novas gerações se relacionam com produtos, serviços e marcas. É a partir dessa perspectiva que o doutor em Comunicação, Dado Schneider, analisa os desafios de dialogar e vender para consumidores cada vez mais conectados, imediatistas e influenciados pela dinâmica digital.
Em entrevista concedida à Revista Sistema de Consórcios durante o 46º CONAC, o especialista em comportamento humano e geracional explica que a principal mudança da atualidade está menos nas novas ferramentas e mais na mentalidade das pessoas. “Não estamos em uma era de mudança. A mudança é a nossa era”, afirma. Segundo ele, a internet alterou a relação dos jovens com o conhecimento, a autoridade e as decisões de consumo.
Autor dos livros “Desacomodado” e “O Mundo Mudou… Bem na Minha Vez”, Dado Schneider também aborda os desafios do mercado de consórcios para se comunicar com as gerações Z e Alpha. Para o especialista, o produto precisa ser apresentado não apenas como uma forma de planejamento financeiro, mas como um caminho para proporcionar oportunidades, experiências e conquistas.
Utilize o player abaixo para assistir à entrevista com Dado Schneider, disponível no canal da ABAC no YouTube.
Confira abaixo um trecho do bate-papo.
O mundo mudou. Na prática, qual a principal transformação no comportamento das novas gerações que as empresas ainda têm dificuldade de compreender?
São muitas coisas, mas o que sintetiza é a relação com a autoridade. Antes, a gente dependia dos mais velhos para entender tudo, e a internet revolucionou a forma como nos informamos e nos educamos hoje. Essa nova geração nunca temeu a autoridade. Ela respeita ou não, mas nunca temeu.
A geração Z cresceu em um ambiente digital acelerado e hiperconectado. Como isso impacta a forma de consumir, de tomar decisões financeiras e de se relacionar com marcas e serviços?
Tem uma revolução comportamental vindo de baixo pra cima porque os jovens consultam mais tudo antes de comprar, e nós, mais velhos, não tínhamos esse hábito. A gente compra muito também por se encantar por algo. A decisão de compra hoje já é primordialmente vinda dos jovens.
No mercado de consórcio, que trabalha com planejamento e visão de futuro, quais estratégias de comunicação podem tornar o produto mais atrativo para esse público jovem?
Os jovens vão pensar cada vez menos “eu preciso me planejar para o futuro” por uma razão muito simples: eles acreditam que poderão viver até os 130 anos, diante dos avanços da inteligência artificial aplicada à medicina nos próximos anos.
Então fica muito mais complicado vender produtos e serviços ligados ao futuro, mas eles podem ser sensibilizados. Pode ser que não sejam os jovens a comprarem as coisas que eles querem, e sim seus pais, padrinhos ou avós. Os mais velhos vão sustentar por mais tempo os jovens. Aquela compra do carro, da viagem ou a ajuda para o casal que recém casado pode ser feita através de um consórcio. A gente vai vender essa ideia para os mais velhos bancarem.
E os mais velhos, para venderem consórcio para os jovens, precisam entender que é necessário apresentar o produto de outra forma: não apenas como planejamento financeiro, mas como uma maneira de proporcionar oportunidades, experiências e conquistas.
A cobertura completa da palestra de Dado Schneider no 46º CONAC, assim como outros conteúdos sobre o maior evento do Sistema de Consórcios, estará na próxima edição da Revista Sistema de Consórcios.
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