O consórcio, criado no Brasil há mais de 60 anos, é um exemplo de como o planejamento pode ajudar a alcançar objetivos pessoais e empresariais.
Uma característica comum no Brasil, seja na economia ou no dia a dia das pessoas, é a busca por resultados imediatos. Esse comportamento, presente tanto no setor público quanto no privado, demonstra que não há preocupação com planejamento em médio e, principalmente, em longo prazo.
Os termos conjuntura e estrutura são mostrados nas grades iniciais dos cursos de economia, apresentando diferenças fundamentais entre eles. Enquanto situações conjunturais exigem respostas rápidas, decisões mais estruturais pedem planejamento consistente, com bases sólidas, para que investimentos e ações tragam resultados duradouros.
Sem planejamento, as consequências aparecem tanto na vida pessoal quanto nos negócios e na gestão pública. Luiz Antonio Barbagallo, economista da ABAC, lembra que “um dos fatores mais comuns é a baixa capacidade de poupança que, diante do imediatismo de consumo, impossibilitam que mais de dois terços dos brasileiros poupem para o futuro”.
Como resultado, muitos objetivos acabam sendo adiados ou não realizados, o que impacta diretamente a segurança e a qualidade de vida. Esse cenário se torna ainda mais relevante em um país que passa por um rápido envelhecimento populacional e mudanças sociais importantes. “O Brasil tem um nível baixo de poupança interna, algo em torno de 15% do PIB”, destaca o economista.
Outro reflexo aparece no mundo dos negócios. Empresas que não se planejam ou que buscam resultados imediatos tendem a enfrentar mais dificuldades para se manter. “A comprovação está no alto índice de mortalidade dessas corporações. Atualmente, está próximo de 60%, em cinco anos”, detalha Barbagallo.
Além disso, o imediatismo também está relacionado ao aumento do estresse. A pressão por resultados rápidos pode gerar impactos físicos e emocionais, influenciando diretamente as decisões financeiras. Segundo especialistas, o Brasil está entre os países mais ansiosos do mundo, o que afeta a vida pessoal, profissional e a sociedade como um todo.
Diante desse cenário, a necessidade de mudança é clara. “É urgente uma transformação cultural em nosso país. A cultura do planejamento, ao lado da organização e da educação financeira, é fundamental nesse processo. Precisamos pensar em médio e longo prazos”, sintetiza o economista.
Nesse contexto, o Sistema de Consórcios tem ganhado destaque como uma alternativa alinhada aos princípios da educação financeira. “Ao longo de mais de sessenta anos, mais e mais brasileiros entenderam que esse mecanismo é uma poderosa ferramenta em linha com os princípios da educação financeira”, afirma Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da ABAC.
O consórcio oferece prazos que favorecem o planejamento financeiro. Atualmente, com quase 13 milhões de consorciados ativos, o Sistema conta com grupos que variam, em média, de 24 a 240 meses. Isso permite organizar a compra de bens, realizar investimentos e até formar patrimônio de forma gradual.
Na prática, isso significa sair da lógica do imediatismo e adotar uma estratégia mais equilibrada para alcançar objetivos.
Para Arthur Vasconcelos, técnico em agropecuária e empresário no Recife, “o segredo do consórcio está no planejamento para ter um carro ou um imóvel. Sem pressa e sem o alto custo dos juros, comuns no imediatismo, pode-se ter qualquer bem, principalmente se for por sorteio, economizando. Estou também no consórcio de pesados, já contemplado, com um caminhão para colocá-lo em uso na minha loja. Demorou um pouco, mas esperei e agora vou comprá-lo para utilizar no meu negócio”.
Ao comentar sua experiência, ele acrescenta que “em mais de seis anos como consorciado, sempre considerei ter um automóvel ou uma casa pagando um pouco por mês, torcendo para ser sorteado, sem me preocupar com uma contemplação rápida. Se achar que posso dar um lance, ofereço alguma reserva, contudo prefiro esperar pelo sorteio que torna meu investimento mais vantajoso”.
“O consórcio é, sem dúvida, um disciplinador, uma poupança com objetivo definido”, afirma Luiz Barbagallo. Com custo final reduzido, flexibilidade no uso do crédito e parcelas que se ajustam ao orçamento, o mecanismo possibilita o poder de compra à vista no momento da contemplação. “Além disso, contribui para o desenvolvimento econômico com responsabilidade, sem gerar inflação e sem estimular o imediatismo”, pondera o economista da ABAC.
Evitar decisões impulsivas e adotar o planejamento financeiro é um passo importante para conquistar objetivos com mais segurança. O consórcio é uma das alternativas que ajudam nesse processo, justamente por incentivar disciplina e visão de longo prazo.
Quer entender melhor como o consórcio pode fazer parte do seu planejamento financeiro? Continue acompanhando os conteúdos de educação financeira do Blog da ABAC.
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