Como estará a economia brasileira em 2027 e de que maneira seu desempenho poderá influenciar o mercado de consórcios? Com as eleições presidenciais de 2026 e as incertezas sobre os rumos da política econômica, as perspectivas para o próximo ano exigem atenção a indicadores como juros, renda e emprego. A ABAC avalia possíveis cenários e seus reflexos no Sistema de Consórcios.
Ao esboçar uma interpretação sobre as expectativas para 2027, Luiz Antonio Barbagallo, economista da ABAC, pondera que “fazer um diagnóstico mais real só será possível a partir da definição das eleições do futuro presidente, considerando o que ele irá encontrar, e quais medidas poderá tomar para corrigir e alinhar a rota econômica”.
Ao traçar algumas conjunturas possíveis para os próximos anos, Barbagallo parte do reconhecimento de que o país atravessa grande déficit fiscal e comenta que “independente da linha econômica para o próximo eleito, via mercado ou via maior intervenção governamental, o problema fiscal precisará ser enfrentado. Déficit se corrige com redução de gastos e aumento de impostos, o que desaceleraria a economia e permitiria redução nas taxas de juros”.
Considerando a informação divulgada pelo Boletim Focus, do Banco Central do Brasil, que projeta a taxa Selic em 12% até o final de 2027, o economista afirma que “a curto prazo, pouca coisa mudará nesse quesito. Todavia, em paralelo, há projeção de tímido crescimento da economia, da ordem de 1,5%, que poderá impactar o consórcio, visto que baixo crescimento pode vir a deprimir a renda e reduzir o nível de emprego, acrescidos de previsões ainda inferiores”.
Periodicamente, a ABAC tem divulgado seu Índice de Confiança do Sistema de Consórcios (ICSC), que, desde seu início em maio de 2024, não havia ficado abaixo dos 60 pontos. Pela primeira vez, em junho de 2026, ao atingir 53,8 pontos, as percepções dos executivos do segmento consorcial projetaram resultados de desaceleração para a economia do país.
“Não acreditamos em uma recessão brutal para 2027”, conclui Barbagallo, “mas sim uma continuidade da gradativa desaceleração que poderá tornar os números do Sistema um pouco mais modestos. Somente a partir do final de outubro será possível trabalhar com o novo cenário e estimar taxas de crescimento de cada um dos seis segmentos do consórcio para o ano que vem”.
Apesar das incertezas econômicas, Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da ABAC, diz que “ainda, independentemente do cenário, acreditamos que o consumidor, mais consciente sobre educação financeira, continuará analisando, avaliando e investindo em seu futuro, pois toda crise passa. Aliás, momentos já vivenciados anteriormente atestam essa conclusão”.
Rossi reforça exemplificando que no período de 2020 e 2021, “mesmo paralisados por uma pandemia mundial, os consorciados entenderam que o futuro estava logo ali e decidiram continuar a aderir ao Sistema, registrando quebras de recordes consecutivos até os dias atuais”.
Os dados dos oito primeiros meses do ano apontaram 3,82 milhões de cotas comercializadas com R$ 389,59 bilhões em negócios realizados. No período, foram concedidos R$ 85,72 bilhões em créditos para aquisição de bens, com a contemplação de 1,18 milhão de consorciados potenciais consumidores do mercado interno. Também os participantes ativos cresceram e alcançaram 13,55 milhões em julho.
Para compreender como o Sistema de Consórcios se comportou diante das oscilações econômicas dos últimos anos, confira também o primeiro post desta série, que analisa a evolução das vendas de cotas e sua relação com a taxa Selic.
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