Os golpes financeiros podem atingir até mesmo quem conhece as fraudes mais comuns e costuma tomar cuidado com o próprio dinheiro. Ao contrário do que sugere o senso comum, nem sempre os criminosos exploram a falta de informação. Existe, porém, uma pergunta de apenas três palavras que pode evitar que você caia em um deles.
Segundo o Banco Central, seis em cada dez brasileiros já sofreram uma tentativa de fraude virtual. Embora os golpes financeiros possam assumir diferentes formatos, muitos deles possuem um elemento em comum, a pressão para que a vítima tome uma decisão imediatamente.
Para compreender como essa estratégia funciona, imagine o caso fictício de Mariana. Em uma sexta-feira, no fim da tarde, Mariana recebe uma ligação que parece ter sido feita por seu banco. O nome da instituição aparece no identificador de chamadas e o suposto atendente demonstra profissionalismo. Além disso, conhece o nome e o CPF de Mariana, tornando o contato ainda mais convincente.
Durante a ligação, o atendente afirma que há uma fraude em andamento e que, para proteger os R$ 22 mil mantidos na conta, Mariana precisa transferir imediatamente o valor para uma suposta “conta segura”. O contato, porém, não é feito pelo banco. A conta indicada pertence aos criminosos e o dinheiro é perdido em poucos segundos.
Mariana não desconhece esse tipo de fraude. Ela já tinha ouvido falar de situações semelhantes, mas, ainda assim, acaba seguindo as orientações recebidas.
O caso mostra que cair em golpes financeiros não significa necessariamente falta de atenção ou de conhecimento. Nesse exemplo, o principal recurso utilizado pelos criminosos foi a urgência. Ao acreditar que o dinheiro está em risco e que precisa agir rapidamente, Mariana não tem tempo suficiente para interromper a ligação e verificar se o contato é verdadeiro.
Diversos golpes financeiros procuram criar a sensação de que não há tempo para pensar. Sob forte pressão, a vítima pode ter mais dificuldade para avaliar a situação, desconfiar das orientações recebidas e buscar outras formas de confirmação.
É por isso que mesmo pessoas atentas e informadas podem ser enganadas. Elas podem perceber que existe algo estranho, mas continuam na ligação porque acreditam que qualquer demora poderá provocar um prejuízo ainda maior.
Em 2025, tornaram-se mais frequentes os golpes baseados em engenharia social, nos quais os criminosos manipulam a vítima para que ela própria realize uma ação que não faria caso tivesse tempo para analisar a situação com calma.
Entre os exemplos mais comuns estão o golpe da falsa central de atendimento bancário, que solicita uma transferência imediata; o golpe do Pix errado, no qual a pessoa é pressionada a devolver o dinheiro naquele momento; e o contato de um suposto familiar em apuros, que afirma precisar de ajuda sem demora.
Apesar das diferenças, todos esses golpes financeiros procuram impedir a verificação. O criminoso precisa que a vítima continue na ligação, siga suas instruções e tome uma decisão antes de consultar o banco ou entrar em contato com o familiar por outro meio.
Diante de uma ligação, mensagem ou pedido inesperado, faça a seguinte pergunta: “Isso pode esperar?”. Quanto maior for a pressão para que uma transferência, um Pix ou qualquer outro procedimento seja realizado sem verificação, maior deve ser a desconfiança.
Uma situação legítima permite que você interrompa o contato e confirme as informações. Já os criminosos tentam evitar essa pausa porque sabem que o golpe pode ser descoberto assim que a vítima procurar um canal confiável.
Criar esse intervalo é uma das principais formas de se proteger dos golpes financeiros. Antes de tomar qualquer decisão, pare, encerre o contato e procure confirmar o que aconteceu.
Caso alguém pressione você por telefone para fazer uma transferência ou seguir qualquer procedimento financeiro, encerre a chamada. Depois, entre em contato diretamente com o banco pelo aplicativo, pelo número oficial da instituição, pelo telefone disponível no verso do cartão ou por um canal que você já conheça.
Não retorne a chamada para o número do qual recebeu a ligação e não utilize telefones fornecidos pelo próprio interlocutor, mesmo que ele diga que o canal serve para confirmar a situação.
Se o pedido envolver um parente ou amigo, procure a pessoa pelo número que já está salvo em seus contatos.
Muitas vítimas percebem que algo parece errado, mas permanecem no contato porque a pressão criada pelos criminosos dificulta a decisão de interromper a conversa. Por isso, sentir desconfiança já deve ser motivo suficiente para parar e verificar.
Lembre-se da pergunta: “Isso pode esperar?”. Não faça transferências bancárias, Pix ou qualquer outro procedimento enquanto não tiver tempo para pensar e confirmar a situação por um canal confiável.
Para conhecer outros cuidados e algumas das fraudes mais comuns, consulte também uma publicação gratuita da ABAC sobre o tema. Clique aqui para baixar o e-book “Golpes Financeiros: Proteja-se!”
Este texto foi elaborado com informações do episódio 173, “A pergunta que mata qualquer golpe!”, da série “BC te Explica”, do Banco Central. Se preferir acompanhar o conteúdo em vídeo, assista abaixo:
Você já recebeu uma ligação ou mensagem que tentava pressionar você a realizar uma transferência? Conte sua experiência nos comentários e compartilhe este post com outras pessoas que também precisam conhecer essas orientações.
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