Decisão do consumidor apoia-se em motivações diversas

07 . jul . 2026

A decisão de aderir a um consórcio nem sempre pode ser explicada por um único fator. Taxas de juros, custo do crédito e cenário econômico são fatores frequentemente apontados como preponderantes na escolha do consumidor. Entretanto, existem motivações mais amplas envolvidas nesse processo, que passam por planejamento, momento de vida, disciplina financeira e realização de projetos pessoais.

O comportamento do consumidor no momento de suas escolhas é de difícil previsão. Quaisquer influências se tornam totalmente subjetivas, mesmo quando considerados os tradicionais fatores de indução. De uma simples compra a um investimento, os impulsos são pessoais sem razões exteriores pré-definidas. Seguidores do austríaco-britânico Friedrich Hayek enfatizam que economias não são objetos ou mecanismos que podem ser controlados, mas sim sistemas complexos a serem entendidos.

A essência dessa teoria defende que o planejamento central não pode substituir a eficiência do mercado por meio de manipulações de preços e juros. Hayek adverte que, diz Luiz Antonio Barbagallo, economista da ABAC, “as informações dos consumidores e agentes da economia não estão centralizadas, ou seja, o papel do mercado é fundamental”.

“Na teoria de Hayek”, continua Barbagallo, “a fundamentação está na qual uma sociedade tem o conhecimento disperso em milhões de consumidores, e diante disso temos múltiplas preferências, relações de custo diferentes por região e tempo”. O economista da ABAC complementa sintetizando que “isso tudo não pode estar contido em uma única equação, indivíduo ou instituição”. 

Controvérsias na relação SELIC x Consórcio

Ao cogitar que as motivações dos consumidores são diversas, é possível chegar à conclusão de que nenhum tipo de planejamento centralizado pode controlá-lo plenamente. 

Ao retomar as controvérsias na relação de taxas de juros e vendas de cotas de consórcio, Barbagallo argumenta que “está aí um exemplo de como uma medida governamental muitas vezes não tem o efeito que se espera sobre um mercado específico”. 

Se em tese, por impulsos naturais, a elevação das taxas de juros estimulasse imediatamente os consumidores a partir para mecanismos de financiamento mais baratos como o consórcio, o raciocínio do economista conclui, inversamente, que “a diminuição das taxas, também em tese, provocaria rejeição ao consórcio. No entanto, empiricamente nota-se que isto não ocorre, não é uma verdade”. E exemplifica, lembrando que, “na época da pandemia, em 2021, a taxa Selic era de 4,4% e as vendas de cotas cresceram 14,7%”. Em contrapartida, em 2016, as vendas caíram 4,8% e a taxa Selic estava no elevado patamar de 14,03%. 

Saiba mais no post abaixo:

Razões para escolha do consórcio são múltiplas

Por outro lado, as pesquisas encomendadas anualmente pela ABAC demonstraram que consumidores têm diferentes motivações ao aderir a um grupo de consórcio. “O custo, sem dúvida é um fator, mas não é o único”, diz o economista. “Nos deparamos com múltiplas respostas como o momento de vida, por exemplo, no depoimento: “Eu creio que agora, aos vinte e um anos, estou num momento de transformação. Estou estudando, trabalhando, fui promovido no trabalho. Tenho tempo para investir agora e já pensar no meu futuro”. Outros diferem com sonhos que incluem disciplina de poupar, porém há os que não a consideram com regularidade.

Sob variados ângulos, as respostas sobre as características do consórcio são reconhecidas como “um investimento a longo prazo: a forma de viabilizar a compra do bem desejado com juros bem menores que um financiamento” lembram, ainda, “a falta de disciplina: tentam guardar dinheiro por conta própria, sem êxito”. E, “na primeira emergência a reserva financeira é utilizada”. 

Há os que acrescentam que “o brasileiro adora um boleto e por virar motivo de brincadeira entendem que “a única forma de poupar é com um boleto para pagar”, “uma forma de manter o controle sobre os gastos”.

Todavia, existe ainda os que confiam no consórcio a partir da paciência, estratégia e sorte. Assinalam ser um processo de longo prazo que pode ser encurtado com um pouco de sorte e estratégia por meio da oferta de lances.

Os mais fiéis acreditam na recompra, afirmando que quem já fez uma vez e deu certo se anima e faz a segunda, a terceira e assim por diante.

“A atração por um crédito mais acessível é um diferencial”, atenta Barbagallo, “pois sejam quais forem as taxas de juros, no cálculo do consumidor o consórcio é sempre mais barato. Ao relembrar os questionamentos de Hayek, fica a pergunta sobre como colocar todos os fatores identificados nas pesquisas, em uma equação?”

Constatações em pesquisa da ABAC

As variadas respostas evidenciam a dispersão de razões que estimulam adesões ao consórcio: 

  • Produto flexível e que cabe no bolso;
  • Viabilização da compra do que deseja;
  • Acesso a um bem mais caro do que poderia hoje;
  • Autorrealização, uma conquista, um presente;
  • Compromisso com o futuro;
  • Investimento a longo prazo no sentido de conquista;
  • Autocontrole, uma forma de não se sabotar;
  • Desenvolvimento da essência da educação financeira, com responsabilidade;
  • Chance e expectativa de contemplação rápida.

Ao concluir, Barbagallo lembra que “todos os fatores descritos indicam que o consórcio não é um produto pura e simplesmente analisado apenas sob seu aspecto financeiro. Há todo um contexto na mente do consumidor que faz com que haja uma identificação do produto com seus sonhos”.

Para contribuir com o aperfeiçoamento das normas e dos mecanismos do Sistema de Consórcios, Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da associação, enfatiza que “a ABAC visa também informar e conscientizar o público em geral no intuito de difundir e ampliar conhecimentos sobre a modalidade, realizando periodicamente levantamentos de mercado que possibilitam atualizações e evoluções”.

Complementa ainda que “o natural desenvolvimento do comportamento do consumidor, apoiado em vários fatores pessoais, nos leva a, constantemente, pesquisar e observar os resultados para identificarmos necessidades momentâneas, expectativas e oportunidades”.

Assim como a ABAC acompanha as mudanças no comportamento do consumidor, queremos saber sua opinião: compartilhe este conteúdo e deixe seu comentário sobre os fatores que mais pesam na hora de planejar uma conquista.

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Drops de Mercado

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