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Quais os impactos da inflação?

07 . out . 2019

Você já viu aqui no Blog da ABAC o que é inflação e quais os impactos que ela causa na economia. No post de hoje, vamos explicar melhor como ela afeta o dia a dia da população, especialmente de camadas menos favorecidas.

A inflação funciona como um imposto sobre a posse da moeda. Isso significa que, quando a inflação aumenta, o poder de compra diminui.

A elevação do custo de vida, provocada pela alta de preços, reduz a quantidade de bens e serviços que o salário mínimo pode comprar, por exemplo. Esse fato explica porque a inflação é especialmente prejudicial para as faixas mais pobres da população, que geralmente não têm como fazer investimentos para proteger seus recursos.

Veja o que acontecia no País no início da década de 1990:

A inflação mensal naquele ano atingiu valores superiores a 80%. Na prática, isso significava que o poder de compra dos salários se reduzia quase à metade após 30 dias. Isso mesmo – o dinheiro necessário para a compra de 2kg de carne, após 30 dias, só permitia a compra de pouco mais de 1kg! O resultado dessa desvalorização acelerada da moeda era visto nos supermercados no começo de cada mês: famílias com carrinhos lotados e longas filas.

Comprar e estocar alimentos e itens de necessidade básica era a estratégia utilizada para tentar driblar a elevação constante de preços. Os comerciantes também tiveram que se adaptar, organizando a logística de recebimento e de distribuição de produtos para atender à demanda intensa nos primeiros dias do mês – e corredores praticamente vazios nas semanas seguintes.

Correria para pegar mercadorias antes que fossem remarcadas; compras do mês estocadas em freezers e despensas; longas filas em postos de gasolina para abastecer o carro antes de reajustes; dificuldades para planejar a compra de um imóvel ou uma viagem; visitas quase diárias a agências bancárias para garantir a movimentação de investimentos financeiros; uso de cheques para fazer pagamentos após as 16h – como o desconto seria feito apenas no dia seguinte, o emissor podia ganhar com a transação. Tudo isso fazia parte da rotina do brasileiro naquele período.

Altamir Lopes, ex-diretor de Política Econômica do Banco Central, explica que a inflação desorganiza o sistema econômico, dificulta o planejamento empresarial, levando à inibição do investimento e, consequentemente, à redução do crescimento, à diminuição da renda e ao aumento do desemprego.

“O desgaste do poder de compra pelo fenômeno inflacionário mede a dimensão do que se convencionou chamar de imposto inflacionário, que é o ganho obtido pelo governo ao emitir mais dinheiro para financiar seus gastos. O aumento no volume de moeda em circulação pressiona a inflação, e os efeitos são mais perceptíveis pelos mais pobres, que retiram a receita apenas de salário. A inflação, impondo deterioração ao poder de compra, cobra suas consequências mais perversas de quem não tem acesso a aplicações financeiras defensivas. Um ambiente de inflação baixa é mais propício à manutenção do poder de compra dos mais pobres”, afirma Lopes.

Continue acompanhando nossos posts para entender melhor importantes conceitos da nossa economia. No próximo post, falaremos sobre índices de preço.

Texto produzido com informações do Banco Central do Brasil.

Categoria(s):

Educação Financeira

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